Pseudo-ícones da nova Cultura Baiana
Sentinela - Octaviano Moniz*

De acordo com o que estudei em Estética, com a doutouranda Juliana Gutmann, a arte é fruto da construção, conhecimento e expressão (Pareyson). Portanto, a cultura "axeziana" representa o "ethos" da sociedade contemporânea baiana, baseada na futilidade, nas rápidas relações afetivas, no "gozo", desejo... No imediatismo capitalista e consumismo desenfreado. É desnecessário pensar já que usamos os cinco sentidos para fruir o "espetáculo". Hedonismo talvez fosse a palavra certa. O culto ao corpo, a beleza e o prazer.

Captando muito bem este "angst" baiano, as músicas têm letras de fácil compreensão, repetitivas e incentivam o povo à alienação, a pensar que são livres nestes poucos dias de folia. Depois, volta a opressão. Uma droga legal e agora organizada pela Secretaria de Cultura, elevando seu status quo. Que é cultura não temos dúvida, mas de baixíssima qualidade. Enquanto os turistas se esbaldam nos camarotes e blocos, a patuléia baiana faz o papel de cordeiros e pipoca. Tem um livro sendo escrito sobre o assunto, "A Idiotização da Cultura Baiana", mas o autor me pediu sigilo. Saudades de Glauber, Tropicália, Raul Seixas, Gregório de Mattos, reitor Edgard Santos, e tantos outros.... Se quiser complete a lista....

* Octaviano Moniz: “Ciências Políticas, Relações Internacionais, Cibercultura e Filosofia”. Leitor compulsivo. Admira Graciliano Ramos, Bukowski, Noam Chomsky, Pierre Levy e André Lemos, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Cursa Jornalismo na Faculdade Social (FSBA). É um artista multimídia. Trabalha com pintura, escultura, vídeo, fotografia e qualquer meio que ele possa expressar sua visão particular de mundo. Foi criador do Curso de Pintura Contemporânea no Museu de Arte Moderna do Estado da Bahia (MAM). Dono da Tatau Arte Contemporânea no Pelourinho, década de 90. A galeria expôs os maiores expoentes da arte baiana como Marepe, Mário Cravo Jr. e Neto, Christian Cravo, Joãozito, Carybé, Vauluizo etc.

*Arte: Sentinela - Octaviano Moniz.

Postado em 09 Jan 2010 por Sentinelas da Liberdade

Adeus, Civilização Brasileira

Sentinela - Luis Guilherme Pontes Tavares*


Estive na Livraria Civilização Brasileira, no Shopping Barra, no dia 31 de dezembro, o último dia de 2009 e o último dia daquele estabelecimento da rede de livrarias criada por Dmeval Chaves no meado do século XX. A Civilização Brasileira do Iguatemi fechara meses antes. Desconfio que, indiferentes à própria sorte, os frequentadores não tenham chorado a perda. Tampouco houve despedidas lamentosas quando a Churrascaria Alex ou a Sorveteria Primavera fecharam. A minha impressão é de que se esvaem os capitais da Bahia...
Postado em 06 Jan 2010 por Sentinelas da Liberdade

Cuidado com o balanço do dia
Teleanálise


Sentinela - Malu Fontes*


Sobre a fragilidade da existência humana, o arquiteto Oscar Niemeyer, aos 102 anos, disse, de forma singular: a vida é um sopro. De modo tão poético quanto o do papa da arquitetura brasileira, mas de forma ainda mais desconcertante, como se espera daqueles que experimentam hoje um outro tipo de desencantamento do mundo, a banda baiana Cascadura adverte em uma de suas canções: ‘muito cuidado com o balanço do dia/qualquer coisinha, já não estamos aqui’. Essas duas perspectivas sobre o quanto a vida é efêmera, transitória e fugaz, não apenas pela sua própria natureza, mas por conta das contingências do mundo contemporâneo e dos surtos ininterruptos de violência, como ocorre no Brasil, são ilustradas, diariamente, em todas as emissoras de TV, em quaisquer telejornais.

Postado em 06 Jan 2010 por Sentinelas da Liberdade

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