Meu sobrinho, quem diria: foi saudar Iemanjá
Sentinela - Odilon Costa Filho

Tenho um sobrinho, que inclusive é político. Só um. Filho do meu único irmão.
Até gosto do cara. Com ressalvas, mas gosto. Andei sabendo de umas falcatruas que andou aprontando e esta é a parte que não gosto do referido. Mas sobrinho é sobrinho e suporto a figura nas poucas vezes que o vejo.
Moleque sabido, já exerceu mandatos legislativos e hoje é executivo de primeiro escalão. Poderoso o cara. Poderoso mesmo. Não sei quem lhe deu tanto poder. Mas ele tem e exerce com pulso firme.
Bem que lhe poderia atribuir alguns adjetivos desqualificantes, mas vou poupá-lo pelo parentesco. Mas que merece, isso lá merece. Andou prometendo um monte de coisas na campanha e insiste em não cumprir uma sequer. Aposta na pouca memória do seu povo e na impunidade que lhe assegura usar sempre da mesma estratégia: prometer e não cumprir, ou cumprir apenas o que lhe é conveniente. Esperto, não?
A última que aprontou diz respeito a sua crença religiosa. Assíduo devoto, frequenta uma igreja na qual é tesoureiro. Pouco vai aos cultos, mas acompanha de perto a arrecadação da instituição religiosa. Controla com rigor os trocados amealhados junto aos desavisados fiéis que acreditam nas curas e salvações mirabolantes defendidas por ele e seus seguidores.
Dia 02 passado me aprontou mais uma. Não é que o vi por acaso oferecendo flores para Iemanjá! Isso mesmo. Rio Vermelho acima, lá estava ele tal papagaio de pirata, disputando uma pontinha nas imagens de TV. Creiam: ele não tem nada a ver com Iemanjá ou o sincretismo da festa. É cara de pau mesmo. Uma figura meu sobrinho. Breve conto outras do safado. Têm muitas...
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