Bateia de pepitas ou a cachaça de Beirão


Caneta com Chip
- Edição Ao Vivo do Campo Grande na cidade do Salvador/BA.


Sentinela - Luís Guilherme Pontes Tavares
*


Leia em outros idiomas: Inglês, Espanhol, Italiano, Francês...



S
ão 12 páginas que embebedam. O jornalista Nirlando Beirão, diretor adjunto da revista Brasileiros, é o autor da reportagem “Cachaça” que a revista publicou em janeiro do ano passado. Ele informa que a bebida “já é, em consumo, o terceiro destilado do mundo, perdendo apenas para a vodca e o coreano shoju”. Beirão releva que a Pernod Ricard, “império etílico de origem francesa”, e a Diageo, “a número 1 do mercado mundial” de destilados, estão fabricando cachaça e elevando no exterior o conceito da bebida brasileira.


A
Brasileiros, que se auto-intitula “a revista mensal de reportagens”, lembra a famosa revista Realidade, que a Editora Abril manteve, entre 1966 e 1976, em pleno regime militar. A escolha e o tratamento dos temas distinguiram essa publicação exemplar. Brasileiros honra o modelo e se apresenta – já está no número 30 – como alternativa neste instante tão difícil que a grande imprensa atravessa. Ela é editada e impressa em São Paulo pela Brasileiros Editora Ltda. O jornalista Hélio Campos Mello dirige a empresa e a redação da revista.

A reportagem “Cachaça” escrita pelo experiente Nirlando Beirão – ele tem mais de 40 anos de profissão e trabalhou em Veja, IstoÉ, Playboy, Caras, Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo – aponta Leandro Batista da Silva, sommelier do restaurante Mocotó (localizado há mais de 30 anos na Vila Medeiros, na Zona Norte de São Paulo), como o maior especialista em cachaça do Brasil. Leandro crê que a cachaça alcançará em breve o respeito e a admiração de milhões de pessoas. Ele afirma que a bebida “ainda vai ser reconhecida como o mais rico e sofisticado destilado do mundo”.


Segundo Beirão, “a exportação tem crescido até 20% ao ano (como aconteceu em 2007 e 2008), mas o resultado não é de fazer ninguém entrar em transe: pouco mais de 16 milhões de dólares pelos 11 milhões de litros vendidos. Em resumo, o Brasil não chega a exportar nem 1% das cachaças que produz. Alemanha, Portugal e, acreditem, o Paraguai encabeçam o rol dos compradores. A sistemática irrupção das cachaças
premium e superpremium é que pode, se não aumentar o volume, pelo menos agregar valor à exportação”.

É o caso, segundo Beirão, da cachaça Leblon, concebida por um grupo de estrangeiros e fabricada desde 2007 em Patos de Minas. Ali, uma velha destilaria foi transformada na Maison Leblon. É o caso, também, da cachaça Janeiro, da Pernod Ricard, que é vendida apenas no exterior. A Diageo, gigante que fabrica o uísque Johnnie Walker, adquiriu recentemente a destilaria da Maria Fulô, em Nova Friburgo (RJ), e lançou uma linha chic de cachaças, cujo top dos tops é a Fulô Ipê, que, conforme Beirão, possui “aromas de sândalo e ameixa, obra assinada pelo mestre cachaceiro Vicente Ribeiro”.


A Brasileiros do último janeiro é como uma bateia cheia de pepitas porque, além do trabalho invulgar de Nirlando Beirão, tem uma ampla matéria sobre o futuro trem rápido que ligará Campinas (SP) ao Rio de Janeiro, uma matéria sobre a herança que o arquiteto (ela preferia ser tratada assim) Lina Bo Bardi deixou em Salvador e muito mais. Destaco, para encerrar, a preciosa contribuição de André Toral, historiador e antropólogo, que utiliza os quadrinhos para nos informar e esclarecer. Imperdível!


* Jornalista, produtor editorial e professor universitário. lulapt@svn.com.br
0 Comentários
postado em 11 Feb 2010 por Sentinelas da Liberdade
Name:
E-mail: (optional)
Smile: smile wink wassat tongue laughing sad angry crying 

| Forget Me