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"Pernambuco merece homenagem. Possui razoável contingente negro e aplica políticas públicas mais democráticas a favor dos Afrodescendentes e manifestações culturais".
Vovô do Ilê Aiyê.
“Se você bota corda não socializa”.
Jorge Arruda, 44 anos, mestre em Ciências da Educação pela Universidade de Nantes, Paris.
“Nenhum show é pago. Isso foi uma atitude revolucionária”.
Sentinelas - Maísa Amaral e Antonio Nelson*
De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2008, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 27,02 % da população da região metropolitana de Salvador declara-se negra. No Recife, 7,49% considera-se negra.
Pernambuco uma Nação Africana – O Bloco afro-baiano Ilê Aiyê prestou homenagem à nação africana do estado de Pernambuco, no carnaval de 2010, na capital baiana. O Ilê é considerado símbolo contra o racismo e luta a favor das conquistas dos direitos do cidadão negro na Bahia. Para intermediar o diálogo com Pernambuco, o presidente e fundador do Ilê, Vovô, 74 anos, convidou Jorge Arruda, 44 anos, mestre em Ciências da Educação,pela Universidade de Nantes, Paris, e professor da Universidade Católica de Pernambuco sobre os estudos afro-brasileiros, Filosofia e Teologia das matrizes indígenas africanas. Em novembro de 2009, Arruda veio a Salvador em nome do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (FIPIR), do Estado de Pernambuco, para participar do seminário Experiências Ibero-Americanas de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Étnico-Racial com Perspectiva de Gênero, em Salvador de 15 a 17 de novembro de 2009. Em entrevista exclusiva ao Sentinelas da Liberdade, Arruda confessou que conciliou a participação no seminário com a troca de experiências com Vovô do Ilê.
No Agreste, a Caipora, e em Triunfo, os Caretas.
São algumas manifestações culturais presentes nas apresentações no interior de Pernambuco. "Todos participam. E sem cordas. Assim potencializamos as raízes africanas e indígenas", explana Arruda. Para ele, o maculelê, maracatu, frevo e outras manifestações folclóricas desembocam no estado através do resgate da cultura popular. “Se você bota corda não socializa”, enfatiza Arruda.
Na capital pernambucana, Recife, a decisão em socializar o carnaval tornou-se visível através das realizações de shows de cantores e bandas locais, internacionalmente conhecidos como Lenine, Silvério Pessoa, Cordel do Fogo Encantado, Mundo Livre S/A , Nação Zumbi, e principalmente grupos e blocos afro-brasileiros se apresentam nos bairros nobres e periféricos.
O Afoxé Oxum Pandá, em 20 de novembro de 2009, completou 14 anos de existência. São nas ladeiras de Olinda/PE, que todos os sábados de carnaval, o Oxum Pandá realiza apresentações. Mas é em bairros do Recife como Ibura, na periferia, Pina, na zona sul, Casa Amaral, bairro nobre e Marco Zero, no Recife Antigo que recifenses e estrangeiros assistem a abertura do carnaval multicultural da cidade, com o percussionista negro Naná Vasconcelos, orquestrando os tambores afros. A platéia também teve oportunidade de assistir shows de artistas nacionais como Marisa Monte e Elza Soares.
Mas foi por determinação do ex-prefeito João Paulo (PT), que os artistas locais passaram a se apresentar nos bairros periféricos. Caso o artista recusasse se apresentar, privilegiando bairros nobres, não teria oportunidade em nenhum outro lugar. O objetivo é não fazer distinção de classe. Com veemência, Arruda finaliza: a prefeitura se “apropriou” do conceito de multiculturalismo e decidiu acabar com a existência e o aumento da privatização do carnaval.
Vovô afirma, "Pernambuco merece homenagem. Possui razoável contingente negro e aplica políticas públicas mais democráticas a favor dos Afrodescendentes e manifestações culturais".
* Maísa Amaral é editora-chefe do Sentinelas da Liberdade. Jornalista formada pelo Centro Universitário Jorge Amado, atuou na redação do Diário Oficial do Estado da Bahia e na Assessoria de Comunicação da Agerba. Ainda em Assessoria, foi responsável pela comunicação interna e externa da Faculdade Unirb. Na área de concurso público e Educação, desenvolveu o papel de repórter na Sucursal Nordeste do jornal Folha Dirigida, e posteriormente foi coordenadora de Jornalismo. É “A arte de desenvolver um jornalismo ético”. Essa é a minha busca constante.
*Antonio Nelson é repórter na área de Política e Economia, Multicultura e Ciberespaço. Fotojornalismo e Cinegrafista. Autor e idealizador do site Sentinelas da Liberdade. Natural do Recife-PE. Desde 05 de março de 2001, reside na cidade do Salvador/BA. Curso Jornalismo na Faculdade Social da Bahia (FSBA) com intuito de desenvolver um jornalismo ético e de interesse público... Jornalismo 24 h.
*Filmagem pelo o skype Salvador/Recife, edição e Megapixels: Antonio Nelson.
*Megapixels de Vovô do Ilê (ONG Ilê Aiyê).