
Sentinela - Odilon Costa Filho*
Meu sobrinho aprontou mais uma. Aquele que foi saudar Iemanjá, lembram?
Não satisfeito com as peripécias que aprontou, veio me contar algumas. Por educação ouvi atento e por conveniência fingi concordar com tudo aquilo.
A diversidade de atrações foi prato cheio para ele. Tocou na Timbalada, dançou rebolation, vaiou prefeito, fez xixi na rua, comeu o proibido churrasquinho de gato, tirou o pé do chão e ainda achou tempo e espaço para beijar sob as ordens dos animados cantores dos trios disponíveis na avenida.
Um danado esse meu sobrinho. Para se proteger de possíveis acidentes e incidentes desagradáveis na folia, levou consigo um baita de um segurança desses que costumamos chamar de “armário”. E bote armário nisso! A presença constante do brutamonte foi suficiente para encorajar o danado a tentar desmascarar um artista na avenida tirando-lhe a bandana. Que ridículo seria expor a careca reluzente do notório personagem de nosso carnaval. Fiz ver ao meu sobrinho que ele havia exagerado, mas não se conformou e garantiu que em 2011 vai sacar o paninho colorido da cabeça do cara e expor suas tranças e sua lisa cabeça ao grande público.
O danado foi tão esperto que conseguiu penetrar nos mais badalados camarotes dos dois circuitos da festa. Autoridades à parte, não vejo na atitude nada de mais. Afinal tem muito “peru” por ali, segundo ele.
Retirando-se dos luxuosos camarotes, o fedelho conseguiu se incorporar a um bloco de longas roupas brancas e milagrosos colares de contas azul e branca que, segundo ele, quando falha é terrível: ofereceu, no calor da folia, a uma garota que mais tarde veio descobrir que se tratava de uma linda boneca. Linda mesmo.
Um perigo esse menino solto por aí. Espero que no São João seja mais comedido. Queira Deus!