Grupo de amigos chora na Pituba

Multicultura



Sentinela - Odilon Costa Filho*



Há cerca de 15 anos um grupo de amigos se reúne numa roda de choro, onde pérolas da música brasileira são executadas por músicos profissionais e amadores, num clima de descontração e amizade, onde reina o bom gosto e o talento.

O Choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical com mais de 130 anos de existência. Os conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou instrumentistas, são chamados de chorões. Apesar do nome, o gênero é em geral de ritmo agitado e alegre, caracterizado pelo virtuosismo e improviso dos participantes, que precisam ter muito estudo e técnica, ou pleno domínio de seu instrumento. O choro é considerado a primeira música popular urbana típica do Brasil e difícil de ser executado.

O grupo, denominado Chorões do Canal, atualmente se reúne no Clube da Sociedade Assistencial dos Servidores do DERBa-SASDERBA, espaço gentilmente cedido pela direção daquela Instituição. Originalmente se reunia na rua do canal, que deu origem ao seu nome. Há três anos participo dos Chorões como percusionista (pandeiro, maracas e agogô), sempre aos domingos das 11 às 14 horas.

O conjunto regional é geralmente formado por um ou mais instrumentos de solo, como flauta, bandolim e cavaquinho, que executam a melodia, o cavaquinho faz o centro do ritmo e um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base do conjunto, além do pandeiro como marcador de ritmo.

Alguns dos chorões mais conhecidos são
Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha. Alguns dos choros mais famosos são:

Dentre as composições de Heitor Villa-Lobos, o ciclo dos Choros é considerado a mais significativa. O chorão mais conhecido e ativo na atualidade é o virtuoso flautista e compositor Altamiro Carrilho, que já se apresentou em mais de 40 países difundindo o gênero.

O grupo se apresenta sem fins lucrativos, a entrada ao local é franca e o público ainda pode desfrutar da aconchegante sombra das frondosas amendoeiras do local. Para complementar, petiscos são servidos pelo restaurante do clube, sem faltar a geladíssima cerveja servida em mesas estrategicamente colocadas ao redor do grupo.

Pelo grupo já passaram conhecidos músicos. Não poderia citar todos, mas lembro-me rapidamente de Raul Gallardo (violinista que compõe a orquestra sinfônica do Teatro Castro Alves), Figueroa (um dos mais conceituados flautistas do Brasil), Cacau do Pandeiro (conhecido internacionalmente pelo domínio do instrumento que lhe dá o nome artístico), Aloisio (coordenador do grupo e exímio percussionista), Washington ( uma virtuose no violão e um dos mais experientes músicos do grupo), França, Cláudio, Mário Ulhoa e outros bandolinistas, além de seleta equipe de percussão composta por Vera, Castro, Edgar e, como aprendiz, eu.
A omissão de nomes importantes do grupo não reflete nossa intenção de minimizar suas importâncias. É que a memória humana é diretamente proporcional à idade. Portanto...

O que diferencia este dos de tantos outros existentes em Salvador e no Brasil é exatamente a informalidade que reina nas apresentações. Os músicos vão chegando e se incorporando, sem burocracia, sem ensaios, mas com muito zelo e competência.

Se algum dia aprender de verdade a tocar e chegar próximo dos amigos Chorões, reeditarei esta matéria me incluindo na foto. Ainda não mereço...O Clube fica na última transversal da Magalhães Neto, no sentido orla. Sejam bem vindos, pois.


*Odilon Costa Filho
é graduado em Administração pela UFBA e pós-graduado em Gestão Pública pela Visconde de Cayru. Editor, cineasta e compositor.
0 Comentários
postado em 18 May 2010 por Sentinelas da Liberdade
Name:
E-mail: (optional)
Smile: smile wink wassat tongue laughing sad angry crying 

| Forget Me