Encarei com desconforto a pilha de exemplares da
Vejinha SP à venda numa das livrarias da cidade. Essa revista integra a edição de
Veja distribuída aos assinantes de São Paulo e acompanha o exemplar vendido nas bancas daquele estado. Pela
Vejinha SP, o leitor de lá não paga nada mais do que o valor do exemplar de
Veja, portanto o suplemento é gratuito. Em Salvador, no entanto, o suplemento é comercializado,em separado, a R$ 10,00, preço superior ao da revista principal, o que equivale dizer que a compra associada elevaria a quase o dobro do preço da
Veja.
O procedimento da livraria, com ou não a aquiescência da
Editora Abril, é, no mínimo, deselegante para com os leitores (assinantes ou não) de
Veja em Salvador. Suponho que a oferta desse produto visa oferecer a quem viajará para São Paulo o amplo programa de eventos semanais daquela que é a capital cultural do país. É, suponho, a única justificativa plausível. A lamentar, por causa desse episódio, que, há alguns anos atrás, a
Vejinha Bahia, que acompanhava o exemplar do assinante e o exemplar vendido nas bancas, tenha desaparecido após alguns números enriquecidos pela boa qualidade das reportagens de Valdemir Santana. E não vingou porque o mercado publicitário baiano não lhe deu a devida sustentação.
Encontrar em livraria de Salvador a
Vejinha SP sendo vendida como produto isolado da revista principal e lembrar que a Bahia já teve a sua
Vejinha e não a sustentou por muito tempo, levou-me a recordar as sucursais dos grandes jornais e revistas nacionais que foram desaparecendo em Salvador desde a década de 1980 e que se ultimaram na década seguinte. Iniciamos o novo século, sem elas. E sem as vagas de trabalho que os jornalistas ali encontravam. Estou falando de sucursais de
O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil, O Globo, Jornal do Brasil, Veja, Manchete e outros veículos.
Floresceram, sobretudo, no período da Ditadura Militar por causa da coincidência dos sinais de vitalidade econômica da Bahia desde surgimento do Centro Industrial de Aratu e do Pólo Petroquímico de Camaçari. Nenhuma, no entanto, cresceu tanto quando a sucursal do Jornal do Brasil, que construiu sede própria e desdobrou-se numa rádio FM, cujo jornalismo ali praticado e a seleção musical caíram no agrado do público. A coragem da iniciativa, no entanto, não foi premiada com o êxito pretendido e, uma após a outra, desapareceram a rádio e a sucursal.
Propus aos alunos da disciplina de História do Jornalismo da FIB/Estácio – que está sendo extinta – uma pauta sobre o fim das sucursais, na qual sugeria como hipóteses que: 1. o desaparecimento se deu porque o avanço da economia baiana não correspondeu às expectativas dos donos de veículos do Sul do país – o que não se sustenta diante do noticiário dos índices econômicos promissores dos dias atuais; 2. por causa da queda da qualidade dos jornalistas da Bahia, portanto ocorreu a redução de quadros à disposição dos contratantes; 3. por causa das novas tecnologias e por causa da criação de agências de notícias pelos veículos baianos. Consultados, jornalistas que trabalharam em sucursais advogaram que elas fecharam em Salvador por causa do elevado custo para mantê-las em pleno funcionamento. Quem outrora possuía sucursal, agora paga free-lancer para eventual tarefa.
Para não ingressar no campo movediço da política, acompanho a versão de que as sucursais fecharam por problemas econômicos. Suponho que os mesmos problemas que autorizam à
Editora Abril a ofertar aos baianos a
Veja pelo mesmo preço do exemplar comercializado em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com a distinção, todavia, de que em SP, Rio e BH a
Veja vem acompanhada da
Vejinha correspondente e na Bahia, pelo mesmo preço, ela vem pela metade.